Centro Esperança Garcia registra 2133 atendimentos à mulheres em situação de violência na pandemia

Centro Esperança Garcia registra 2133 atendimentos à mulheres em situação de violência na pandemia

O dia 08 de março é um marco que celebra anualmente as conquistas sociais e a luta por igualdade e pelos direitos das mulheres. No entanto, mesmo diante de muitos avanços ao longo dos últimos anos, as mulheres ainda são constantemente vítimas de violência e violações de direitos. O Centro de Referência Esperança Garcia, referência no acolhimento e acompanhamento das mulheres em situação de violência em Teresina, registrou ao longo de 2020 um aumento de 300% no número de atendimentos, chegando a 2021 com a marca de 2133 mulheres atendidas.

De acordo com Roberta Mara, coordenadora do centro, o dado é um dos reflexos da pandemia, pois com a necessidade do isolamento social muitas mulheres são obrigadas a passarem mais tempo em casa com seus agressores, ficando ainda mais expostas a violência. “O período de pandemia gerou um aumento muito expressivo no atendimento à mulheres em situação de violência. Várias delas procuraram pelos serviços oferecidos pelo CREG através do whatsapp, ou mesmo ligação, e com isso chegamos em 2021 com 413 mulheres vítimas de violência inseridas no serviço”, destaca Roberta.

No geral, as mulheres procuram a instituição encaminhadas pela delegacia especializada no atendimento à mulher ou por livre iniciativa. Com o isolamento social, o centro passou a realizar o acompanhamento também por telefone e aplicativo de mensagem. “No CREG, além da acolhida e do atendimento psicológico, as mulheres contam ainda com o apoio de uma advogada. Além do atendimento direto, a instituição também promove grupos de reflexão, atividades de sensibilização e práticas integrativas tais como florais e massagens relaxantes, como forma de fortalecimento diante das situações de violência vividas”, pontua a coordenadora.

Só no primeiro bimestre deste ano 458 mulheres vítimas de violências já buscaram apoio por meio da instituição. De acordo com a psicóloga Amanda Graziela, que atua no centro de referência, não há um perfil específico entre as mulheres atendidas pela instituição. O público é bem variado, mas predominam mulheres em situação de vulnerabilidade social.

“No entanto também não são poucas as mulheres com um poder aquisitivo mais elevado que buscam nosso atendimento, mas o que a maioria tem em comum é que, devido a tantas situações vividas e a forma romantizada que predomina no que se refere a compreensão do relacionamento, elas acabam se responsabilizando pela paz no relacionamento, e com isso vão tomando para si a culpa pelos problemas e permitindo que certas situações de violência aconteçam”, explicou.

O Centro de Referência Esperança Garcia foi fundado em 2015, através de uma parceria entre a Prefeitura de Teresina e a Ação Social Arquidiocesana (ASA). A instituição oferece atendimento jurídico, psicológico e social a mulheres em situação de violência na capital, através do acompanhamento de uma equipe multiprofissional especializada que realiza o acompanhamento e orientações.

 

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